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domingo, 25 de dezembro de 2016

Do sonho à queda: Lisca faz balanço e diz que encontrou grupo abalado Em entrevista ao GloboEsporte.com, técnico disse que faltava confiança no vestiário. Considerou o pênalti sofrido contra Corinthians como determinante para rebaixamento

Por Porto Alegre

Lisca comanda Inter contra o Corinthians (Foto: Marcos Ribolli)Lisca diz que derrota para o Corinthians com pênalti polêmico foi crucial para a queda (Foto: Marcos Ribolli/GloboEsporte.com)
De férias com a família em Florianópolis, Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o Lisca, ainda tenta assimilar tudo o que viveu nos 24 dias em que esteve no comando do Inter. Realizou um sonho ao treinar o clube no qual iniciou a carreira, nas categorias de base, ainda na década de 1990. Em contrapartida, não conseguiu o objetivo de livrar o time do primeiro rebaixamento de sua história. 

Foram apenas três jogos, com uma situação pra lá de complicada, é verdade. Mas também muito intensos. Em conversa com o GloboEsporte.com por telefone, Lisca conta um pouco dos bastidores de como foi a reta final no Brasileirão. Em uma autoavaliação, admite que encontrou um grupo abatido e deveria ter motivado mais os jogadores para o confronto contra o Corinthians – jogo que considerou crucial para a queda. Ao mesmo tempo, elogia os treinamentos realizados no CT do Parque Gigante e a convivência com jogadores.  
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Lisca evita projetar o futuro, mas quer voltar a trabalhar logo como treinador. Não fala em frustração por não ter seguido no comando do clube, já que sabia do acerto da nova direção com Antônio Carlos Zago. No total, foram três jogos à frente do Inter: derrota por 1 a 0 diante do Corinthians, vitória sobre o Cruzeiro pelo mesmo placar e empate diante do Fluminense por 1 a 1, em um jogo em que considerou muito ruim tecnicamente e que decretou o rebaixamento.  

Confira abaixo trechos da entrevista com Lisca:

GloboEsporte.com – Qual a avaliação da sua passagem pelo Inter?
Lisca Já foi falado bastante. Para mim é complicado falar, é difícil falar que foi legal. O objetivo era sair do rebaixamento. Foi totalmente atípico, pouco tempo. Não tem muito que falar. Da minha parte, conseguimos fazer quatro pontos, aproveitamento de 44,7%. Era uma prazo curto. Era uma situação bem atípica, eu estava passando por um momento bom. Parecia que estava nadando contra uma corrente, com os jogadores em outra situação. Esse negócio do tribunal, STJD, barricada para a torcida não se aproximar dos atletas. Um pênalti que não existiu, é difícil até reclamar. Vendo aquele pênalti hoje (contra o Corinthians), é difícil de aceitar, não há penalidade. Um lance totalmente atípico e que praticamente nos rebaixou. E o Inter nem podia reclamar. O quarto árbitro chegou pra mim e disse “vai dizer que é por causa desse pênalti que vocês estão assim”. Até saí de perto. O próprio Oswaldo de Oliveira admitiu que não foi nada. 

A derrota contra o Corinthians foi determinante para a queda?
Era um jogo decisivo. Com a derrota, nem com outras duas vitórias teríamos garantia para permanecer, sem depender de outros resultados. Aquele pênalti atrapalhou bastante, a gente precisava ganhar ou, no mínimo, empatar. Teve a vitória contra o Cruzeiro, a tragédia da Chape, que mudou todo o curso do campeonato. Nem com a vitória na última rodada conseguiríamos nos salvar. Os jogadores ficaram estressados, ficaram bem abalados. 

Sentiu os atletas abalados quando o Sport marcou contra o Figueirense, na última rodada, enquanto o Inter jogava contra o Fluminense?
Eles já estavam sentidos antes. Os jogadores sabiam que o Figueirense estava desmobilizado, alguns atletas (do clube catarinense) se negaram a jogar. Eles sabiam, os jogadores têm amigos nos outros clubes, conversam entre si. O Figueirense precisava empatar, mas a gente sabe como é difícil jogar na Ilha do Retiro. Desde a derrota contra o Corinthians, a gente sabia que ia ser difícil.
Era uma situação bem atípica (...) Parecia que estava nadando contra uma corrente, com os jogadores em outra situação. Esse negócio do tribunal, STJD, barricada para a torcida não se aproximar dos atletas"
Lisca, sobre sua passagem pelo Inter
O tempo que você teve foi muito curto? 
A gente sabia bem. Os jogadores sentiram muito a sequência de 17 jogos sem ganhar, limou muito a confiança do grupo. Trocava treinador, mas os resultados não mudavam. Perderam muito a confiança, principalmente no segundo turno. Começaram a não ganhar, perder, perder e empatar. Jogavam bem alguns jogos e não venciam. Para escapar, o Inter precisaria ter feito 48 pontos. 

O que o Inter vai encontrar na Série B?
Dificuldade. É uma competição diferente, tem as suas características. O calendário é distinto, a tabela é outra, muitas vezes joga terça e sexta. Também tem muita viagem e troca de clima. Sai daqui do Rio Grande do Sul com zero grau e vai jogar em Belém, Maceió, Ceará, Lucas de Rio Verde, que é seco pra caramba. É uma competição mais continental, que pega a região de cima. É um campeonato duro, bem competitivo. Mas os campos já melhoraram muito. Hoje, se joga na Arena Castelão, na Arena Pantanal, o Vila Nova joga no Serra Dourada, tem o Mangueirão. Claro que não é a mesma qualidade, mas muitos campos são bons. Esse gramado que o Inter atuou na última rodada era ruim, fofo, totalmente diferente. Na Série B não encontramos estádios com acomodações tão acanhadas (quanto do Giulite Coutinho). 

Acha que o Inter tem elenco qualificado para essa competição? 
É difícil falar, eles estão fazendo um diagnóstico correto, falando em reformulação. Mudou treinador, diretoria, certamente vai ocorrer uma mudança. A mudança de perfil para a competição é importante. 

Conhece Antônio Carlos Zago? É um bom nome para o Inter? 

Conheço. Fez um bom trabalho no Juventude, conhece bem a Série B. Está batalhando. Ele já era um projeto do clube, eu sabia disso. Não posso nem ficar chateado, já estavam conversando com a nova direção. Todo mundo já sabia do resultado da eleição. Eu já sabia que tinham conversado e que a preferência era pelo Zago ou pelo Milton Mendes. Conheço bem os bastidores. O (Fernando) Carvalho e o Vitorio (Piffero) me deixaram claro que não tinha como dar sequência.

O que ficou de positivo para você nessa passagem pelo Inter?
Foi um orgulho de tentar até o final. Nos momentos difíceis, tem que ser lembrado. Para mim foi um momento muito legal, os treinos foram bons. Infelizmente, não conseguimos os resultados. Ia ser ruim se não tivesse ganhado nenhum jogo. O último jogo tem que avaliar, foi muito ruim. Vi o teipe esses dias. Tive um aprendizado muito legal com essa chance de treinar o Inter, uma boa convivência com jogadores e funcionários, evolução legal, profissional. Claro que num momento difícil, nós aprendemos bastante.

Mudaria alguma coisa?
Talvez o jogo contra o Corinthians, senti que os jogadores estavam bem abatidos por aquele 4 a 0 do Vitória sobre o Figueirense. Já estávamos três pontos atrás, agora com saldo bem negativo. Aquele jogo abateu muito os jogadores, e o nosso jogo ainda foi na segunda, depois de todos os outros. Talvez eu interviesse de uma forma diferente, hoje. Os jogadores ficaram abatidos. Talvez eu não tivesse percebido, porque não estava no dia a dia com os atletas. Eles tinham que ganhar praticamente todos os jogos e sentiram muito. Hoje, vejo como eles estavam abatidos. Entraram nervosos contra o Corinthians, foi a primeira vez que sentiram como estava complicado.
 
O que projeta para 2017? Pensa em, um dia, voltar ao Inter?

Seguir a vida, dar uma descansada e voltar a trabalhar o quanto antes. Estou em Floripa, não escutando muito o que está acontecendo. Eu tive um convite antes (de assumir o Inter), mas acabei não aceitando. Voltar parta o Inter em outra situação no futuro seria bem legal.  

lisca internacional fluminense (Foto: André Durão / GloboEsporte.com)Lisca admitiu má jornada contra o Fluminense (Foto: André Durão / GloboEsporte.com)
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