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quinta-feira, 16 de março de 2017

Gerente científico vê Vasco a 60% e planeja auge de reforços em maio Alex Evangelista defende trabalho realizado, apesar de questionamentos e relatos de queixas de jogadores. Para ele, grupo heterogêneo requer mais cuidados

Por Rio de Janeiro
Luis Fabiano Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)Alex Evangelista avalia Luis Fabiano: esperança de que o Fabuloso esteja em perfeitas condições daqui a um mês (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)
A busca por explicações para o momento atual do Vasco vai além das quatro linhas. Com os recentes tropeços da equipe, um dos itens questionados foi a preparação física. Alguns jogadores se queixaram dos treinos deste tipo após a derrota para o Flamengo, na semifinal da Taça Guanabara, e, nos bastidores do clube, houve críticas ao desempenho do time depois do empate com o Macaé. Mas, para o departamento de futebol, o trabalho é considerado satisfatório. 
Gerente científico do Vasco, Alex Evangelista conversou com o GloboEsporte.com na última quarta-feira, antes da viagem da equipe para Salvador, onde o time enfrenta o Vitória nesta quinta, pelo jogo de volta da terceira fase da Copa do Brasil. Segundo ele, o atual elenco cruz-maltino está em 60% de sua condição física. A meta é que os reforços alcancem o auge em maio, período que compreende as finais do Campeonato Carioca e o início do Campeonato Brasileiro. 
- Hoje estamos em 60% da nossa forma física. Temos três ciclos. Se eu chegar no auge no primeiro, como vou chegar no terceiro? A ideia é de que (os reforços) tenham um auge até o fim do Carioca, para estar no nível competitivo e disputar em igualdade com os outros times. Depois que alcança o auge, o trabalho é de manutenção, cuidar para que não despenque – explicou Evangelista. 
Segundo o gerente científico, os dados coletados pelo Vasco não mostram qualquer problema físico nos jogadores. Entretanto, ele admitiu que alguns jogadores estão abaixo do nível do elenco. Os reforços, especialmente, ainda precisam evoluir. A maioria deles chegou ao clube após longo período de inatividade, como Wagner, Luis Fabiano e Muriqui. 
Nesta entrevista, Evangelista explica o trabalho no Caprres, conta que a preparação física é integrada com os treinos em campo e esclarece as situações de jogadores lesionados, como Luan e Marcelo Mattos. Confira:
Como é a preparação dos treinos? Há trabalhos físicos suficientes?
A gente individualiza. Cada jogador tem um histórico. Pego as informações e monto um relatório. Esse trabalho independe do trabalho do Cristóvão, a única coisa que tenho que fazer é ajuste. Alinho com o Cristóvão a estratégia de treino. Nenhum treino é realizado tirando treino do Cristóvão. Nenhum jogador é tirado do campo. Está todo mundo no campo. Assim é a semana inteira. O preceito básico do Caprres é estar todo mundo no campo.
A preparação física é feita no Caprres ou no campo?
Nos dois lugares. Tanto aqui quanto no campo. Porque tem fundamentos que são na grama. Sempre tem treino físico, com um fundamento ou outro. Estamos fazendo todos os treinos. Tudo que achamos que é necessário. Do que um time precisa mais? O Wagner não joga desde julho. Preciso dele com bola, ele precisa de ritmo de jogo. O Luis Fabiano precisa de parte física ou de bola? Muriqui ficou um tempo parado tratando. Hoje, eles precisam de ritmo.
Nenê Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)Nenê em treino do Vasco: projeção de que equipe evolua fisicamente até maio (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)
Em que nível está o time neste estágio da temporada?
Hoje estamos em 60% da nossa forma física. Temos três ciclos. Se eu chegar no auge no primeiro, como vou chegar no terceiro? A ideia é de que (os reforços) tenham um auge até o fim do Carioca, para estar no nível competitivo e disputar em igualdade com os outros times. Depois que alcança o auge, o trabalho é de manutenção, cuidar para que não despenque.
É possível projetar outra subida de desempenho durante o Brasileiro?
Tem uma descida de junho a setembro. Nesse período entendo ser crucial para ajustar e chegar em setembro com todas as condições de manter até dezembro. Setembro é um momento crucial de lesões, estresse, cansaço, momento decisivo das competições. Posso ter me expressado mal ano passado (quando disse que o time voaria neste período). Isso traria dificuldade na parte física. Portanto, acredito que estamos nos preparando para um ano competitivo e, neste período, estarmos em vantagem nestes processos. O time que em setembro não conseguir se levantar bem não sobe mais.  
Nestes tropeços, houve alguns questionamentos em relação à preparação física, com relatos de jogadores que ainda não se sentem bem fisicamente. Por que essa percepção?
A gente está trocando pneu com o carro andando. Pegamos os caras com dificuldades. Estavam sem jogar desde julho."
Alex Evangelista
Porque nosso grupo é heterogêneo. Os jogadores não fizeram tudo que tinham que fazer. Tem jogadores no meio do caminho, outros no fim. Entendo que alguns atletas ainda estejam abaixo. Não dá para conduzir um trabalho homogêneo para todo mundo. Tenho que saber conduzir esse trabalho para que não arrebente a corda. A gente está trocando pneu com o carro andando. Pegamos os caras com dificuldades. Estavam sem jogar desde julho. O cara precisa se adaptar, e isso é no campo.
Em quanto tempo o Luis Fabiano vai estar 100%?
Acho que com mais um mês de jogo ininterrupto e treinando, ele vai começar a mostrar sinais do Luis Fabiano que ele é. Ele relata que a cada dia se sente melhor. No início as dores musculares eram intensas, hoje já não é tanto.
Luan Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)Luan se recupera de uma operação após fratura no pé direito (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)
Houve uma polêmica em relação ao Luan. Ele sofreu lesão, continuou jogando, depois parou para operar. O que aconteceu?
Luan fraturou o pé, tomou um chute no jogo contra o River Plate que agudizou um problema que ele já tinha. Ele sofreu uma fratura na base, e na época os médicos não quiserem operar. A fratura não consolidou como deveria. O problema que estava encubado apareceu. Resolvemos tentar tratar para ver se tirava a dor. Não conseguimos, e optamos por cirurgia. A gente não sabia. Esse problema foi há oito anos. Ele fez exame nos EUA, e deu que era um trauma. Podia tratar, não tinha fratura instável. Era estável, e a decisão era por tratamento conservador. Para ver se ele conseguia continuar jogando. Só que ele não respondeu ao tratamento. Estava com dor, não deu. Operou. Ele não estava correndo com fratura no pé, ninguém é maluco a esse ponto. Ele leva um mês para voltar a treinar. 
Como está a recuperação do Marcelo Mattos (operado em setembro após romper o ligamento cruzado anterior do joelho direito)?
Está na fase final de recuperação. Estamos tendo um pouco mais de paciência. Ele quer tirar todos os pontos de dor. Ele foi para os Estados Unidos, treinou com bola, mas depois que chegou o Jean, a gente deu uma retraída. Vamos fazer a coisa como deve. Estou preocupado em ter o time preparado para disputar o Brasileiro do início ao fim. Usar o Carioca como pré-temporada, chegar nas finais, porque o regulamento joga em nosso favor. Não preciso ganhar a Taça Rio para chegar à final. Aí, sim, nas finais, quero estar com o time todo justinho. Acho que dá.
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